sábado, 16 de março de 2013


A Quaresma, o bacalhau e a nova divulgação deste peixe na encosta inferior do nordeste 
(Roca Sales, Encantado, Lajeado e Bento Gonçalves).

A Pizzato apresenta em suas garrafas de vinho, receitas de bacalhau. Uma maneira criativa de incentivar o consumo dos tintos que é uma característica da cultura portuguesa, junto a seus consumidores. O Atelier, nos seus quase quatro anos de existência, tem uma dedicação toda especial a quaresma e especificamente aos pratos de bacalhau. Este ano não foge a regra, já estamos com encomendas e uma especial atenção intelectual ao “fiel amigo” bacalhau.








 
























Pataniscas: não tão comum quanto o bolinho da bacalhau, mas também prato típico portugues oferecido em suas tascas ou nas casas de famílias. Receita divulgada nos rótulos da Pizzato.

   
Porto imperial, bacalhau mais específico para assar ou fazer em postas. Este artesão oferece a sua clientela quase sempre o coadinho, um bacalhau não tão alto quanto o porto mas com textura e sabor igual. E mais específico para os pratos oferecidos:
- Bacalhau à Gomes de Sá
- Bacalhau às Natas
- Bacalhau à Zé do Pipo

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013



Uma paixão gastronômica (feijoada)

Este artesão é um apaixonado pesquisador pelo prato feijoada. No livro Culinária de Etnias Comentários e Citações de um Escritor Gastrônomo publiquei baseado em boa bibliografia um capítulo dedicado a este prato, o título “Feijoada de um Pesquisador.” A feijoada tem como ingrediente principal em sua feitura o feijão preto, havendo algumas exceções. Raramente esse pesquisador usa outro feijão que não o preto, mas na última incursão a cozinha, resolvi experimentar o feijão-mulatinho seguindo a sugestão de Sonia Rosa, que fez um livro para crianças abordando o tema feijoada. É dele o sugestivo trecho a ser empregado na cozinha:
  
“Dizem que a feijoada foi criada pelos escravos, por que os senhores não comiam os “restos” do porco. Isso é uma lenda. Os escravos comiam feijão com fubá ou farinha de mandioca. Às vezes ganhavam um pedacinho de carne-seca ou toucinho. Os africanos não gostavam de cozinhar alimentos misturados. Os portugueses é que sempre gostaram muito do cozido de feijões com miúdos de porco. Comiam esse cozido com arroz e couve. As escravas aprenderam a fazer feijoada cozinhando para os portugueses. Mas elas fizeram mudanças. Trocaram a fava e o feijão-branco da Europa por feijão-mulatinho e preto do Brasil. Juntaram temperos novos. Serviram com farofa e laranjas. E assim nasceu o cartão de visitas da cozinha brasileira.” 







O singelo livro para crianças de Sonia Rosa “Feijoada”.
















A feijoada com feijão-mulatinho, o experimento do artesão, pelo menos para este uma delícia.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013



Uma página de um livro até agora não editado

“O porco em algumas cozinhas típicas do Brasil” é uma pesquisa deste artesão de um livro até agora não editado, a receita apresentada no blog é uma página inédita desse trabalho que possivelmente será editado. A obra é uma pesquisa de receitas porcinas, de regiões do Brasil, a receita falada tem como ingrediente principal a lingüiça e é uma entrada. O trabalho teve a consulta de inúmeras bibliografias e algumas inspirações em tópicos de livros que interessantemente não eram livros de culinária, narravam somente passagens de bons vivants.
 
Lingüiça ou paio defumado flambada com cachaça ou álcool.
Prato típico da culinária carioca (embutidos de porco)


Os apreciadores de lingüiça tem muitas opções no mercado, ela é feita de inúmeras espécies de animais, inclusive aves. Já para este prato preferencialmente é escolhida a lingüiça de carne suína. Sendo a lingüiça de pernil muito procurada. As origens da lingüiça remontam a mais de 2 mil anos, era popular aos antigos romanos. É muito apreciada na culinária carioca conforme Danuza Leão em gostoso parágrafo de seu livro Quase Tudo: “Aos domingos o ritual mudava: almoçávamos mais tarde, e de aperitivo meu pai cortava uma lingüiça em rodelas botava numa travessa, regava com álcool – de farmácia – e acendia um fósforo. A lingüiça ficava com um gostinho de carvão. Era degustada com farinha e pimenta e meu pai tomava uma cachacinha (só uma). Sempre comidas alegres, coloridas e fortes.”      




 Livro de memórias de famosa colunista do Brasil com excelente citação gastronômica, contando os domingos da sua casa paterna e falando de uma lingüçinha flambada que serviu de inspiração desta página.











Ingredientes:

500g de lingüiça ou paio defumado podendo ser a lingüiça cortada calabresa ou paio feito de pernil de porco.
½ xícara de cachaça ou álcool
Fatias de pão cortado para torradas
1 frigideira levemente untada com azeite de oliva ou manteiga.
 
Modo de preparo:

Em uma frigideira coloque o azeite ou a manteiga dando uma leve fritada no paio ou lingüiça cortada em rodelas quando. Atingir o ponto desejado despeje a cachaça flambando. Este flambar poderá ser feito junto a boca do fogão com cuidado para que não se ateie fogo à cozinha, ou numa mesa sendo ateado fogo com fósforo a bebida deixando flambar de preferência demoradamente. Quando apagar o fogo estará pronta para ser servida como tira gosto. Acompanha as torradas com geléia de pimenta.


Entradinha carioca de lingüiça flambada. (petisco que pode ser específico acompanhamento para chopp ou cerveja)

sábado, 12 de janeiro de 2013



O filé ao alho e óleo do O Atelier

Muda as guarnições, os títulos dar receitas, pequenas inovações que marcam a característica de cada cheff de cozinha. Nos botecos é a estrela, nos restaurantes sofisticados sofre pequenas restrições, pois o alho não é visto com bons olhos pelos que prezam um bom hálito.  O que sobra como incontestável é o sabor do prato, filé ao alho e óleo ou outros nomes que lhe são dado e que na verdade é o mesmo prato. As guarnições marcam as diferenças, filé guarnecido ao molho de campanha, farofa de manteiga e fritas cortadas a moda portuguesa ou um simplório arroz branco do trivial de cada dia, todos ao gosto de cada cliente que pede o prato ou do cheff que oferece a maquiagem do seu gosto. É o caso deste da fotografia, filé ao alho e óleo guarnecido por medalhões de palmito puxado na manteiga.



 O palmito na manteiga dá um contrate de suavidade com a rusticidade do alho, prato que pede um bom vinho tinto seco.

sábado, 29 de dezembro de 2012


Comentários e Sugestões do Artesão Sobre Datas Festivas.

O brasileiro e suas datas festivas no caso de agora, natal e réveillon, faz uma gastronomia com muita carne de aves no natal, peru, chester, frango e no ano novo mudam os protagonistas, o ator principal passa a ser o porco, ganha ênfase também o bacalhau e o salmão. O motivo da exclusão das aves é superstição brasileira de que as mesmas “ciscam para trás”. O porco e o bacalhau são uma culinária de influência portuguesa. Há também os pratos que não são retirados da mesa em nenhuma das datas, que é o caso do arroz à grega, das frutas e da farofa. Esta um verdadeiro prato nacional, um misto de influência indígena com a farinha de mandioca e de milho, fazendo uma miscelânea com passas, nozes, torresminho e castanha, formando uma verdadeira miscigenação cultural gastronômica.
Tem sido cotidiana desde a criação do bistrô a feitura de ceias natalinas e ceias de réveillon para as pessoas levarem para as suas casas os pratos prontos, esse ano não fugiu a regra e foram entregues muitas aves, muitos assados de porco, arroz à grega e farofa, um doce e poético preparo do artesão e seus assessores admiradores desta arte de festas. Segue sugestões para o réveillon que aí vem.


Um doce apreciado no Brasil para a data natalina ou ano novo.

Rabanadas

Ingredientes:
(para 5 ou 6 pessoas)
- 20 fatias de pão amanhecido
- 1 e ½ copo de leite
- 8 ovos batido
- óleo pra fritar
- açúcar
- canela em pó
Tempo de preparação 30 minutos.

Modo de preparo:
Umedeça as fatias de pão no leite e depois passe-as no ovo batido. À parte aqueça o óleo numa frigideira. Quando estiver bem quente, frite as fatias pouco a pouco. Escorra-as em papel absorvente e termine polvilhando com açúcar e canela em pó. É um prato típico português aculturado ao Brasil e muito barato.





Uma vez um prato de sobrevivência, hoje um prato de festa, doçaria típica do Minho, muito simples, mas gostosíssima.

Bacalhau Comemorativo

Ingredientes:
- 1 ½ kg de bacalhau
- 1 kg de batatas
- 4 colheres de sopa de manteiga
- 6 dentes de alho picado
- molho de pimenta
- azeite de oliva

Para guarnecer:
- ovos cozidos
- rodelas de cebola e tomates (ou tirinhas de pimentão vermelho ou verde)

Modo de preparo:
Dessalgue o bacalhau na véspera. Primeiramente ferva o bacalhau, na água do mesmo ferva as batatas. Tire as espinhas e a pele do bacalhau (costumeiramente o lombo já é vendido no mercado sem a pele) cuidando que o lombo não seja deformado, leve em uma refrataria o bacalhau ao forno com pedaços de manteiga e os dentes de alho picado. Refogue a cebola e o tomate a parte. Os ovos já devem estar cozidos quando o bacalhau estiver levemente tostado. Finalize montando o prato, as batatas podem ser colocadas tipo ao murro com a pele para que o comensal a descasque. Regue com bastante azeite de oliva e molho de pimenta, azeitonas vão muito bem para a decoração, sirva. É uma maneira muito interessante de comemorar o ano novo. 






Maneira bonita e muito simples de servir o prato. Retirado do livro "A Cozinha Portuguesa de Ofélia".

segunda-feira, 12 de novembro de 2012



O Xixo e as Suas Influências

Xixo gaúcho, churrasquinho árabe ou espetinho grego?

O xixo na gastronomia da atualidade no Brasil é consumido em toda a região sul. Sendo divulgado como comida típica no Rio Grande do Sul, erroneamente, pois a terra gaúcha não tinha no princípio a produção de legumes usada neste prato (cebola, tomate e pimentões). O que possivelmente existiu foi aculturação uma vez que nós gaúchos somos simpáticos a arte de assar. As influências devem ter sido múltiplas, mascates libaneses, turcos, sírio-libaneses e gente origem grega, parecem ser os donos dessa técnica de intercalar cubos de carne de boa qualidade com legumes, cebola, tomate e pimentões, no plural por que as espécies usadas podem ser a das três cores: verde, amarelo e vermelho. Um subsidio para reforçar argumentação do artesão é esta receita retirada de um livro de culinária libanesa “Histórias e Receitas da Família Madi de Julieta Riscalla Madi”.

Zahm-michwye (Espeto de Carne Cortada)

Ingredientes:
- 500g de carne (filé, alcatra ou uma carne macia) cortada em pequenos cubos;
- cebolas pequenas ou cortadas em quadrados quando grande;
- 4 tomates cortado em quatro
- 1 pimentão vermelho ou verde, também cortado em quadrados;
- sal, pimenta síria e azeite para temperar;
Prepare os espetos com a carne, intercalando a cebola, o tomate e o pimentão.

Modo de Preparo:
Asse na brasa e é da cultura árabe assar também no álcool, da mesma maneira que a *cafta.
* cafta é outro espetinho árabe, este feito de carne moída, temperado com pimenta síria e hortelã. Também erroneamente divulgado como culinária gaúcha, inclusive em livro do SENAC, alguns chamam a cafta aqui no rio grande de “churrasco de boi moído”.

 Xixo a moda gaúcha:
cubos maiores de filé mignon, pimentão de duas cores, tomate, cebola e o espeto normal usado para churrasco. É comum o uso de um espeto especial e mais fino para a feitura do xixo