sábado, 9 de junho de 2012


Bacalhau às natas ou Bacalhau com natas?


Tiago Fontoura me manda um recado de Portugal: “a maneira certa de se dizer é bacalhau com natas, e com certeza é muito saboroso. Saudações da terra de Cabral”.
Em meu livro Culinária de Etnias comentários e citações de um escritor gastrônomo publiquei a referida receita como bacalhau às natas. A razão para a publicação da referida receita foi uma velha carta de um restaurante já fechado em Porto Alegre. No cardápio o antigo dono Almeida português da terrinha oferecia “bacalhau às natas”.
Usando argumentações mais atuais, no mercado público de Porto Alegre a banca 26, 27 oferece bacalhau às natas congelado. O antigo restaurante naval, Casa Centenária, antes um pé sujo, hoje com roupagem nova uma casa sofisticada, também oferece em sua carta bacalhau às natas.
Este cronista é dono de inúmeras bibliografias com respeito a bacalhau. Livros vindos direto de Portugal, revistas Gula, edições especiais com bacalhau e folhetos de publicidades da Norge, a grande exportadora de bacalhau da Noruéga. Devo dizer que o amigo Tiago Fontoura tem meia razão, pois este material apresenta na sua grande maioria “bacalhau com natas” o que me leva a conclusão que “bacalhau às natas “ é linguagem popular ou resquícios da cultura açoriana da nossa querida Porto Alegre. Esquecendo as divagações teóricas fique com a receita dessa sonorização que acho bem mais interessante que bacalhau com natas. Este bacalhau é  oferecido sob encomenda em “O Atelier”.


BACALHAU ÀS NATAS

(Culinária Portuguesa)


06 porções

1kg de bacalhau portinho desalgado
1kg de batatas(cortadas na forma de palitos,fritas)
1 pote de nata
1 litro de leite
Meio copo de farinha de trigo
50 g de manteiga
3 cebolas
azeite de oliva o quanto baste
sal,pimenta,noz-moscada e pão ralada


Modo de preparo:

Cozinha-se o bacalhau escorre-se, limpando o mesmo de espinhas e peles. Frita-se as batatas em óleo de milho, reservando.Em outro recipiente faça a cebolada usando o azeite de oliva e cebola em rodeladas, bacalhau em lascas e pimenta-do-reino.Faça um molho bechamel com o leite, a manteiga,farinha de trigo.Quando o molho branco estiver pronto coloca-se a nata acertando a noz-moscada,o sal e a pimenta.Forre uma refratária com a cebolada e o bacalhau as lascas num primeiro paço,no segundo coloque as batatas fritas.Complete cobrindo o bacalhau com as natas.Vai ao forno para dourar.Pode ser decorado com azeitonas pretas.


Prato típico da culinária portuguesa e de influência francesa

sábado, 2 de junho de 2012

Um singular filé


            Em duas noites no Centro Universitário da UNIVATES, 29 e 30 de maio de 2012, foram realizadas as noites dos filés. O grande protagonista das receitas apresentadas e degustadas pelos alunos foi o filé a Voronoff. Uma pesquisa e uma adequação ao paladar moderno, um velho clássico divulgado por um livro de Manoel Mendes Leite Júnior. Um professor da hotelaria portuguesa dos anos 60. A receita foi retirada do livro “Serviços de Mesa Balcão Cafeteria” o pesquisador do referido filé o artesão cronista deste blog. Eis a receita:

File à Voronoff


Ingredientes:
- 2 medalhões de filé mignon de 200g cada
- 2 cebolas roxas médias picadas em cubos
- 50g manteiga
- 1 cálice de vodka
- mostarda francesa (Dijon)
- molho inglês
- pimenta do reino
- azeite de oliva
- sal

Modo de preparo:
            Chapeie o filé temperado com sal e pimenta em frigideira de ferro untada com azeite de oliva, quando estiver tostado coloque a manteiga deixando reduzir, flambe com a vodka. Após esse processo refogue a cebola roxa, ponha molho inglês e a mostarda a gosto, deixe reduzir e sirva.

sábado, 19 de maio de 2012


Um prato para o fim de semana.
Este artesão achou interessante essa receita de Jamie Oliver em sua viagem pela Itália e resolveu auxiliar os blogueiros em seu almoço de domingo. Um prato gostoso e barato.
pasta ao forno com pomodori e mozzarela                               massa assada com tomate e muzzarela          
para 4 pessoas

Ingredientes:
Sal marinho e pimenta-do-reino a gosto
Azeite de oliva extravirgem
1 cebola branca descascada e picada
2 dentes de alho descascados e picados finamente
1 ou 2 pimentas vermelhas (chilli) secas e esmigalhadas
1,5Kg de tomate ou 3 latas de tomate vermelho de boa qualidade
1 punhado de folhas frescas de manjericão
Opcional:
1 colher de sopa de vinagre de vinho tinto
400g de orecchiette (sugestão do João Manoel outros tipos de massa: farfalle, fusili)
4 punhados grande de queijo parmesão
3 bolas (150g cada) de muzzarela de búfala (também sugestão do João Manoel, trocar por ½ de mussarela comum).                                                                                                                                                                                                                                                                                                
 Modo de preparo:

 Preaqueça o forno à temperatura de 200°C e ponha uma caçarola grande com água salgada para ferver. Em uma panela de tamanho apropriado, despeje dois fios de um bom óleo de oliva extravirgem, a cebola, o alho e a pimenta vermelha e frite lentamente por cerca de 10 minutos em fogo baixo, ou até que fique tenro, mas sem dourar. Se utilizar tomates frescos, remova o centro com a ponta de uma faca pequena, mergulhe-os na água fervente por cerca de 40 segundos até que a pele comece a se desprender. A seguir retire os tomates da água com uma escumadeira ou peneira e tire a panela do fogo.
Passe os tomates, dentro de uma tigela, em água fria corrente, depois retire as peles, esprema as sementes para fora e pique-os grosseiramente. Adicione os tomates (frescos ou enlatados) à cebola e ao alho, com um copo pequeno de água. Ponha para ferver e cozinhe em fogo brando por cerca de 20 minutos. Nesse momento, passe-os por um processador de alimentos ou um liquidificador a fim de obter um molho solto. Rasgue as folhas de manjericão no molho e acerte o tempero com sal, pimenta-do-reino e um gole de vinagre de vinho tinto.
Quando o molho processado ficar com um ótimo sabor, ponha a água de volta para ferver. Adicione o orecchiette ou a massa sugerida à água e cozinhe conforme as instruções da embalagem. Escorra a seguir e misture com metade do molho de tomate e 1 punhado de parmesão. Pegue uma assadeira, uma panela ou uma travessa de tamanho apropriado e unte com um pouco de óleo de oliva. Faça uma camada fina de massa na assadeira, seguida de um pouco de molho de tomate, 1 punhado de queijo parmesão e 1 bola de muzzarela fatiada, depois repita a operação, fazendo novas camadas, até utilizar todos os ingredientes, terminando com uma boa camada de queijo por cima. Leve ao forno preaquecido por 15 minutos ou até dourar e borbulhar. Os italianos parecem gostar de comer este prato na temperatura ambiente ou um pouco frio, mas eu prefiro quente.

sexta-feira, 18 de maio de 2012


O galeto do Artesão e do Rio Grande do Sul.

O galeto hoje é um prato da culinária gaúcha, servido nas mais renomadas churrascarias do país. É um prato criado pelos imigrantes italianos do Rio Grande do Sul. A receita abaixo é uma das muitas maneiras de preparar o galeto com ervas. Esse artesão não é adepto de exagero nas ervas.

Galeto com ervas:

Ingredientes:

- 2 galetos menu
- sal e pimenta a gosto
- 1 cálice de vinho branco
- 4 a 5 folhas de sálvia, de preferência fresca
- 2 talos de cebolinha verde
- 1 dente de alho
- 1 colher de sopa de manjrona picada fresca
- 1 fio de azeite extra virgem de oliva
            Pode-se trocar o cálice de vinho branco por ½ cálice de vinagre tinto de boa qualidade

Modo de preparo:

            Amasse e pique o alho. Faça o mesmo com os temperos verdes. Junte o vinho branco, o azeite, o alho, a pimenta e o sal e faça uma espécie de vinagrete. Misture com o galeto, ambos em uma vasilha funda, deixando de molho por cerca de 6 horas. Espete os galetos dois em cada espeto. Asse sobre a brasa até o ponto desejado, lembrando que o galeto deve ser bem assado. O ideal é que fique tostado por fora e úmido por dentro. Sirva com espaguete e salada de radite e bacon.

Luiz Câmara Cascudo escreveu o livro “A História da Alimentação no Brasil” num dos capítulos ele aborda o que comiam os velhos do Alentejo. A foto apresenta o que comiam os velhos dos anos 50. Galeto em uma confraternização em casa no Vale do Taquari, mais precisamente no Bar da Esquina, em Roca Sales. Com espeto a frente dos comensais, modo de servir não usual nos dias de hoje. Este tipo de casa deu origem ao espeto corrido.

segunda-feira, 30 de abril de 2012


Feijoada, um ritual

            Na casa deste artesão a feijoada com a chegada do inverno é quase uma ritualística. Envolve a família, sempre algum convidado, ou o convidado de sempre meu amigo e compadre Valmor Piccinini. Falei ritualística mas é uma comunhão que envolve a comida, o vinho, o bate papo e todos a volta da mesa. Feijoada completa que para muitos sempre será incompleta porque terá mais um ingrediente a ser acrescentado. Um dos primeiros restaurantes que travei conhecimento com este prato foi o Bar Naval, o antigo não o de hoje que está transformado num restaurante de peixes e frutos do mar, por sinal restaurante bem sofisticado, não tendo muito há ver com o antigo Pé Sujo. Vem dali a divulgação de um verdadeiro cardápio que é esse prato nacional. Autoria desse poema receita é de Paulo Naval, antigo garçom e gerente daquela casa:
                                                      
Hoje sexta-feira

o terror gastronômico
Venha saborear a terrível feijoada
do Naval
Feijão preto bem cozido,
Pé de porco, costelinha salgada
charque, lingüiça calabresa.
Bacon e costela defumada
Em terrina será servido.
Uma laranja de sobremesa.
Teste a gastrite estomacal,
a gosto coloque pimenta
Que no inverno aquece
e no verão alimenta.


Feijoada
Comida típica, servida em todo país em restaurantes, bares, botequins e birosca. É motivo de difusão de cultura e de música quando reúne os afixionados do samba, do chorinho e do pagode. Nesses casos uma genuína manifestação cultural do Brasil. Já nas casas como a mesa do artesão é o falado ritual.  

sábado, 28 de abril de 2012


Um doce e um antipasto servido em “O Atelier” e subsídio da cultura dos mesmos.

Quindins de Iaiá
João Manoel é o autor do livro Culinária de Etnias Comentários e Citações de um Escritor Gastrônomo. É retirado do mesmo a citação abaixo e o quindim de Iaiá é servido em O Atelier.
Os sobrepastos vernáculos e lusitanos mudavam no Brasil, como por exemplo os de ovos – que viraram noutros a simples adição de coco. Olha o ovo mole de Aveiro que é o pai do quindim! Deste acréscimos aos do reino, nasceram os doces da terra. E viva o coco da Bahia!
Baú dos Ossos – Pedro Nava

Ingredientes:
- 1 coco ralado ou 250g de coco
- 200g de manteiga
- 500g de açúcar
- 11 gemas
- 2 claras

Modo de preparo:
            Bata tudo junto e, quando começar a abrir olhos, unte ligeiramente as tigelinhas e ponha os quindins que vão ao fogo brando, em banho-maria. Depois de corados, tire e despeje ainda quente. É preciso passar uma faca em torno do doce antes de retirá-lo. Coloque no papel rendado e no pelotine.


 O ovo mole do Aveiro e o coco da Bahia fizeram um doce tipicamente Brasileiro o Quindim de Iaiá. Nascido nas casas grande no intercâmbio entre a patroinha e a escrava culinarista.








Antipasto (caponata ou camponata?)

            Este artesão gastrônomo é assíduo freqüentador da banca 26 27 do Mercado Público de Porto Alegre. Uma senhora chega ao balcão e pede caponata, no que é prontamente corrigida de forma imperceptível pelo balconista:
- a senhora quer camponata?
Curioso da gastronomia não resisti e parti para a consulta de livros para definir a etimologia da palavra, não encontrei nada que me deixou satisfeito, recorri a wikipédia que apontou caponata como de origem Siciliana fazendo outra citação “capunata”. Como caponata é uma receita saída da ilha da Sicília para o continente italiano e para o mundo acho caponata ser correto e camponata é o aportuguesamento da mesma. Portanto a senhora do balcão da 26 27 não tinha porque ser sutilmente corrigida. Caponata é um gostoso antipasto feito de berinjela guisada, passas preta e branca, amêndoas e castanha do Pará trituradas, pimenta vermelha picadinha, especiarias e azeite de oliva. Como o nome está dizendo é uma excelente entrada, cobertura para torradinhas.

sábado, 14 de abril de 2012


Um inesquecível curso (gastronomia de bacalhau).

     As fotos reportam um momento interessantíssimo na vida deste artesão culinário. Um curso ministrado pelo artesão no Café da Cidade em Lajeado há alguns anos, propriedade de dona Anilda e Dr. Frank. A noite portuguesa ofereceu três tipos de bacalhau, a entrada bolinhos de bacalhau e uma sobremesa. Os bacalhaus Zé do Pipo, bacalhau à Gomes de Sá e bacalhau as Natas. Uma noite inesquecível para o aprendiz de professor João Manoel. Agora na quaresma o Atelier fez para alguns clientes os pratos citados, aos clientes o nosso agradecimento.

 O artersão e um dos proprietários. Pousando junto ao clássico da cuinária portuguesa bacalhau à Gomes de Sá. Iniciava a paixão do artesão pela feitura dos pratos que envolvem bacalhau. 








O artesão e o bacalhau à Zé do Pipo, outro clássico da culinária portuguesa.